Importância do caminhoneiro

11/09/2018 às 11:37 - Atualizado em 28/09/2018 às 10:58

É impossível fazer alguma coisa sem a participação de um caminhoneiro. Da comida que comemos ao asfalto em que pisamos, ele sempre tem alguma participação.

 

Em uma cena simples: a mãe vê, através da janela de vidro, o filho chegando por uma rua sem buracos. O recebe na porta da sala com móveis novos e o convida para comer mandioca frita na cozinha. Ele vai ao banheiro e lava as mãos antes de sentar-se à mesa.

Pronto. Esta cena não seria possível sem a participação de caminhoneiros de diversos segmentos. Railton Jesus dos Santos, de 50 anos e 25 como caminhoneiro, seria o responsável pelos vidros da janela. Motorista autônomo, agregado a uma grande empresa, transporta vidros de Jacareí para a capital de São Paulo em seu Volkswagen 19.320. “É meu e do banco,” brinca ele falando que ainda precisa acabar de pagar e para isso trabalha muito. Às 11 horas da manhã estava descarregando 24 toneladas de vidros em São Paulo, depois de sair de casa, em São José dos Campos, às 5 horas da manhã sem ter tido tempo de tomar café.

Depois que a operação estiver completa, ele volta para Jacareí, carrega de novo, e vai para Itaquaquecetuba, interior de São Paulo.
Em São Paulo, o descarregamento foi complicado, pois a entrada da empresa era muito estreita. Apenas com a ajuda de outra pessoa ele conseguiu manobrar e colocar a carreta na posição correta.

O transporte de vidros exige uma carreta especial. A suspensão é pneumática, com bolsas de borracha que absorvem todas as imperfeições das ruas. Os vidros são colocados em cavaletes que são encaixados na carroceria por meio de um trilho. Uma vez encaixado, o cavalete é suspenso e preso, se tornando o “piso” da carreta. Para dar maior segurança, apoios laterais pressionam as placas de vidros umas contra as outras, tornando o conjunto um bloco uniforme e bem seguro.

Para descarregar é o inverso. Os apoios laterais são retirados, o cavalete desce até o chão, o motorista desloca a carreta para frente e o cavalete fica livre para ser descarregado. Às vezes, quando tem cavalete pronto, com os vidros, Railton deixa um e carrega outro.

Para as entregas em São Paulo, é preciso agendar com muita exatidão, para poder passar pelas marginais antes das 9 horas da manhã. Além disso, é preciso ter muito cuidado com os carros pequenos. “Tem carros que colam na lateral direita e a gente tem que ficar atento para não passar por cima,” explica Santos. “Tem motorista que fica do lado direito, encostado na gente e não sai, parece que quer aproveitar a sombra do caminhão. Mas o pior é aquele espertinho, ou sem noção, que ao abrirmos para fazer uma curva, ele pensa que estamos dando passagem e se mete no meio.”

Durante a greve Railton Santos estava em casa. Como ele é agregado a uma empresa, não sentiu diferença no tabelamento do frete. “Para mim é bom o tabelamento porque existirá uma regra para cumprir,” prevê ele. “Se o caminhoneiro aceita um frete abaixo da tabela, não terá como voltar. Não se pode aceitar menos do que o tabelado porque todo caminhoneiro tem família para sustentar e caminhão para fazer a manutenção. Quem cobrar menos, em pouco tempo estará fora do mercado por que acabará com o caminhão e não terá como comprar outro.”

Ele lamenta a falta de participação da população na greve. “Quem estragou a greve foi a população que quis abastecer com gasolina a R$ 10,00 o litro,” diz chateado. “Tinha que deixar a gasolina no posto. Essa gasolina, se ficar muito tempo no posto, apodrece. Os postos teriam que vender a um preço justo. Mas o povo não teve consciência, união e sabedoria.”

Railton Santos pede licença, pois está na hora de seu almoço e ele está com fome. Antes de ir, passa corrente e cadeado envolvendo a bateria do seu caminhão para evitar que seja furtada.

Carga geral

E para ele almoçar, alguns caminhoneiros também colaboraram. É o caso de André Luis Ramiro, 30 anos e há nove caminhoneiro, e Reginaldo Alves da Silva, 43 anos e há 23 nas estradas. Ramiro dirige um caminhão de Silva que quebrou no meio do caminho da viagem entre Londrina e São Paulo. Silva saiu de Londrina com outro caminhão e engatou na carreta que Ramiro estava trazendo carregada com rótulos de embalagem de sabonete para uma indústria aqui em São Paulo. Depois de descarregar, estavam procurando carga por meio de um aplicativo e ligando para clientes tradicionais. “Tem bastante carga para o Paraná, principalmente para nós que temos um baú para cargas variadas,” diz animado Ramiro. “Não temos horário para ir embora. Voltar vazio jamais. É prejuízo. Se voltar descarregado, temos que colocar dinheiro no caminhão”.

Para ele, o mais difícil da profissão é o trânsito de São Paulo. Além disso, tem a restrição de horário, restrição de locais onde não pode passar. “A gente espera o horário para não levar multa,” explica ele. “Se entrar na área de restrição, podemos levar mais de uma multa pela mesma infração. Esse Scania 112, ano 1991, com carreta, atinge 19,8m de comprimento. Aqui em São Paulo é complicado.”

Se tem que esperar para encontrar carga, às vezes tem que espera para descarregar. “A lei que estabelece o pagamento de R$ 1,56 por hora parada, por tonelada não é cumprida, a gente dificilmente recebe. Eu nunca recebi,” afirma Reginaldo Alves da Silva. “E além disso, às vezes o cliente contrata a gente e diz que o descarregamento será feito por ele, mas quando chegamos, temos que descarregar.”

Durante a greve, Ramiro e Silva ficaram parados em casa. Para eles, o tabelamento é muito bom, desde que seja cumprido, o que, segundo eles, não está acontecendo. “A tabela não é ótima, mas é suficiente para cobrir os custos com uma pequena sobra,” explica Silva. “Com os preços dessa tabela, você pode pegar a carga para qualquer lugar, mas se pegar com um preço abaixo da tabela, vai ter que tirar dinheiro do bolso”.

Ele afirma que trabalhar abaixo da tabela não é vantagem porque não sobra dinheiro pra manter o caminhão e viver. Ele espera que seja cumprida e que a ANTT crie um organismo para fiscalizar e puna quem contratar e quem aceitar um frete mais baixo. Se a tabela é algo estabelecido por lei, quem não a cumpre está ilegal, merece punição. E ele dá exemplo.
“Eu exijo que seja pago o preço da tabela,” garante Reginaldo Silva. “Desde que foi pré-determinada, só carrego pelo preço fixado nela. Tem muitas empresas que não querem pagar o frete na tabela, mas também tem muitas que estão pagando. O que não pode é o motorista aceitar menos”.

Alimentos

Se o Railton, aquele do vidro, depois de lavar as mãos com o sabonete com as embalagens do André e do Reginaldo, estiver almoçando mandioca, provavelmente o Adelson Rodrigues Costa, de 31 anos e há 12 caminhoneiro deve ter o “dedinho” na comida. Ele transporta mandioca da cidade de Artur Nogueira, em São Paulo, para o Ceasa. “Acordo às 7 horas e levo 300 caixas de mandioca para o Ceasa e para alguns outros pontos,” explica Costa que é empregado e dirige um Mercedes-Benz 1620. “O pior problema é o trânsito em São Paulo. Apesar de não pegar o rodízio por vir pela Castelo Branco dirigir aqui é complicado,” fala de cima do caminhão, enquanto ajuda a descarregar as caixas.

Durante a greve ele ficou em casa e diz que, como empregado, a variação do frete não o afeta. E, ao contrário da maioria, pensa que o frete não deveria ser tabelado. “Acho que deveria ser determinado pela livre concorrência, porque todo mundo sabe quanto o caminhão custa, quanto gasta, o preço do pedágio e do diesel,” explica ele ao afirmar que trabalhar abaixo da tabela não adianta.

Costa não tem muito entusiasmo em comprar seu próprio caminhão. “Comprar caminhão às vezes não compensa porque o mercado sobe e desce,” afirma ele. “É melhor trabalhar de empregado e ganhar mais ou menos, mas com certeza, do que tentar ganhar muito comprando um caminhão e acabar se dando mal.”

Óleo vegetal

E a mandioca que o Adelson trouxe para a mesa do Railton foi frita com o óleo que o Robson Bonni Romero, de 38 anos e 12 de caminhoneiro trouxe de Dourados, MS. Na realidade, Romero transporta óleo vegetal que, depois de refinado, vira o óleo comestível, óleo graxa, óleo degomado, borra e espuma. Tudo utilizado na indústria de alimentos.
Com um bitrem, sete eixos, puxado por um Scania 124G, Romero enfrenta o trânsito e a má educação dos motoristas de São Paulo. “A maior dificuldade no meu trabalho é o trânsito de São Paulo,” diz ele. “Tem muita gente mal educada, despreparada no trânsito. Você tem que cuidar de todo mundo: pedestre, motoqueiro, carros pequenos e de repente um maluco entra na sua frente e você tem que estar muito ligado para não se envolver em acidente.” Ele tem a sorte de não pegar horário de rodízio pois chega à cidade pela rodovia Castelo Branco.

Durante a greve permaneceu em casa, em Dourados. Ficou parado, mas se manifestando em vários pontos de paralisação.

“O preço do pedágio melhorou, mas já aumentaram o valor. Como sou empregado, o preço do frete não interfere diretamente. Porém, melhorando o valor do frete o patrão terá condições de dar uma manutenção melhor no caminhão, pneus novos, de repente até comprar um caminhão novo e isso será melhor para mim. Por isso acho que valeu a greve”

Mas ele ainda reclama da falta de incentivo para a profissão de caminhoneiro. “Somos tratados como lixo. Não só pelo Governo, mas por toda a população. Para entrar em São Paulo é uma burocracia para tudo,” lamenta Romero. “Tem pátio sobrando por todo lado, mas eles cobram e somos obrigados a pagar por que temos que esperar os horários. Se ficar na rua ou é assaltado ou multado. O Governo colocou pressão nos grevista estabelecendo uma multa astronômica, impagável por que ninguém tem dinheiro. Tem caminhão se desmanchando pela estrada.”

Móveis

E aqueles móveis novos da sala no começo da matéria, ou os móveis do restaurante onde o Railton foi comer a mandioca, trazida pelo Adelson, e frita com o óleo do Romero, só estão lá, porque o Roberto José Silva, de 55 anos e há 30 como caminhoneiro, transportou. Ele é contratado de uma empresa especializada em mudanças internacionais e relocação e com um Volkswagen 19.260 Advantec puxa um porta contêiner com 12 metros. Ele busca os contêineres vazios em Santos e transporta onde estiver a mudança, por exemplo, Brasília, onde presta serviço para o Itamarati. Lá, são carregados com móveis e voltam para Santos de onde seguem para diversos destinos.
A operação de carga e descarga não tem problema, é rápida. Um guindaste coloca os contêineres no porta contêiner que tem quatro pinos que travam o contêiner impedindo que ele se movimente, mesmo com os buracos, lombadas e freadas no caminho. “A maior dificuldade no transporte é o trânsito de São Paulo,” reclama Silva. “Fecharam as ruas principais, proibiram o tráfego de caminhões. Acabaram com São Paulo.”

Para auxiliá-lo nas manobras, o VW 19.260 Advantec tem espelho na lateral direita, que mostra a calçada. Muito útil nas manobras e para ver carros e pedestres que ficam do lado direito. Se bem que para Silva isso não seria necessário. “O retrovisor ajuda, mas é preciso ter malícia,” adverte o caminhoneiro. “E isso eu tenho, pois tenho diesel nas veias. Meu pai era caminhoneiro e me avô era caminhoneiro e eu tenho que honrar a tradição da família.”

Máquinas
pesadas

Mas se o Railton almoçou em um restaurante com os vidros que ele transporta, com os móveis que o Silva transporta, comeu a mandioca transportada pelo Adelson, frita no óleo que o Romero trouxe e lavou as mãos com o sabonete embalado com as embalagens transportadas pelo André e pelo Ramiro, é porque o Bruno Marinacci, de 38 anos e 20 de caminhoneiro, levou as máquinas para fazerem a recuperação das ruas.
Marinacci é polivalente. Dirige um caminhão de resgate, com prancha de 14 metros (pode andar em qualquer lugar e em qualquer horário, pois é considerado serviço essencial) e outros com pranchas de 25 metros nos quais leva máquinas de grande porte. Um dos caminhões é o Volkswagen 31.330 com quarto eixo de fábrica devido ao grande peso das máquinas. O trabalho não é fácil.

“Acordo às 3h30 para pegar trânsito livre e fugir das restrições. Mas a maior dificuldade são os guardas. Eles não podem ver uma prancha que já saem procurando algo errado,” lamenta Marinacci. “Sempre acham algo ‘errado’, como excesso lateral, de comprimento e até de peso, mesmo sem ter balança.”

Além disso, a população não reconhece o trabalho que ele e seus companheiros estão executando. “Elas reclamam quando estamos trabalhando por causa do barulho. É sinal de marcha ré, a máquina que pesa 70 toneladas, quando se movimenta faz barulho. A vizinhança grita, joga ovo, e a gente só pode pedir desculpas e tentar fazer o serviço o mais rápido possível. Toda a operação de carga e descarga acontece em no máximo 30 minutos quando tudo dá certo”.

Durante a greve ele não trabalhou. “O frete influencia no meu salário porque eu ganho comissão. Se o frete baixar eu ganho menos,” compara Marinacci. “O tabelamento do frete é interessante, mas tem que ser bem feito e não de qualquer maneira. Peso nunca foi frete. Tem que se basear na tonelada, mas com um preço justo.”

Ele afirma que uma caçamba de 14 metros carrega 20 toneladas e ele, com sua prancha carrega uma máquina que pesa 25 toneladas, podendo chegar a 70.”

Marinacci diz que para o transporte com prancha o tabelamento não funciona porque existem muitos fatores envolvidos, como escolta, batedores e policiais. O costume é calcular o que se gasta e multiplicar por quatro, em caso de descida de serra, por cinco. O caminhão utilizado neste tipo de operação, carregado, consome um litro de diesel por quilômetro.
Apesar de amar a profissão, entender tudo sobre mecânica e conhecer bem as estradas, Marinacci não pretende comprar um caminhão. “Não compensa comprar caminhão,” diz meio desapontado. “O frete é baixo, o diesel caro, a insegurança nas estradas é muita e ninguém dá valor aos caminhoneiros.”

Equipamentos
especiais

Como Bruno Marinacci, o experiente João Batista Félix da Silva, 35 anos de estrada, também trabalha com transporte pesado. Logo de manhã, às 7 horas, estava no estacionamento da Help Transportes, em Santo Amaro, para começar o seu dia. “Levo maquinários pesados utilizando, no meu caso, caminhões guinchos e muncks”, explica.
Eu amo minha profissão e família. A minha esposa, Paula Nascimento, sempre me deu total apoio. “Ser caminhoneiro me dá prazer. Adoro dirigir. Se eu nascesse de novo seria caminhoneiro”, diz.

A sua rotina é tranquila porque trabalha em uma ótima empresa. Como em toda profissão, exige atenção para que ocorra tudo certo na operação logística do produto. “Quando a gente faz uma tarefa com carinho e amor fica tudo mais fácil”, comenta Silva.

O transporte de cargas pesadas precisa de uso de equipamentos apropriados, pois, quando as cargas são de grande porte, é imprescindível o emprego de guindastes para içá-las e alocá-las no veículo que realizará o transporte. Já no caso de produtos em menor porte, porém em quantidades grandes, é necessário utilizar equipamentos que aumentam a agilidade do processo.

Ele explica que no dia em que não entra em um caminhão fica sentindo falta de alguma coisa. “Desejo um feliz Dia do Motorista e que cumpram com a sua função e façam seus serviços com carinho. Quando se trabalha com amor é tudo mais fácil.
Água

São Paulo tem bom sistema de abastecimento de água, mas em casos especiais, como encher uma piscina, o fornecimento de água é feito por empresas particulares. E nesse momento Jair Rodrigues da Silva, de 62 anos e 20 de caminhoneiro, entra em ação. Depois de trabalhar 12 anos com caminhão próprio, tornou-se empregado.

“Caminhão próprio não compensa, por causa da terceirização,” explica ele. “Eu não consigo pegar frete direto de uma empresa que não quer assumir riscos e repassa o serviço para um terceiro. Esse terceiro não faz nada, mas fica com boa parte do frete para resolver os problemas que ocorram. Com isso, o frete para o caminhoneiro fica reduzido.”

Ele transporta água retirada de poço artesiano com um Volkswagen 24.250 com um tanque com capacidade para 20.000 litros. Depois de acordar às 5 horas da manhã e fazer três viagens até um condomínio, aguardava acabar o horário da restrição de circulação dos caminhões (10 às 14 horas). Depois das 14 horas, voltaria para a base, encheria o tanque e voltaria para completar os 80.000 litros solicitados pelo cliente para encher uma piscina que tinha sido reformada.

A água entra no tanque por gravidade por um cano de 4 polegadas (10,16 cm). Para descarregar, um cano é conectado ou na frente do caminhão ou na sua lateral. O motor do caminhão é ligado, engata-se uma marcha, depois a tomada de força, coloca-se o motor em ponto morto e a bomba empurra a água. “Isso para prédios de até 10 andares,” explica Jair Rodrigues dos Santos. “Para prédios maiores, usamos uma bomba elétrica que tem potência para empurrar a água em prédios de até 30 andares.”

Parece simples. E é, porém, quando é preciso levar água para prédios em construção o trabalho é mais difícil. Isso porque é preciso levar uma corda até o topo do prédio e de lá, ir puxando mangueira por mangueira e engatando uma na outra até completar a altura do prédio. Normalmente esse serviço é feito pelo poço do elevador.

Durante a greve, Santos atendeu apenas os clientes que estavam muito próximos da base. Para ele, se a tabela de frete for atualizada, irá melhorar a situação. “Ganhamos um salário fixo mensal, mais comissão por entrega e horas extras quando precisamos passar o horário. Além disso, se passamos mais do que três horas do horário, a empresa paga janta,” diz o caminhoneiro. “Se a tabela de frete for aprovada, o frete será melhor e nossa comissão também será melhorada.”
Nós podemos até não lembrar, mas o trabalho dos caminhoneiros sempre está presente em nossas vidas.

Carga seca

A história de Gilmar Alexandre Kapp como caminhoneiro começou há 37 anos. “Sempre gostei dessa profissão. Ser caminhoneiro está no meu sangue. Toda a minha família é de motoristas”, diz Kapp.

A minha empresa, a Transportes Kapp, nasceu em 2003. Tenho ela há 15 anos, o mesmo tempo em que sou cooperado da Coopercarga.
“Tem um fato que marcou bastante a minha vida profissional”, diz Kapp revelando que foi quando deu uma entrevista para o Clube Irmão Caminhoneiro. “Marcou-me muito, pois foi gravada na minha casa”.

Apesar das dificuldades da profissão Gilmar Kapp está satisfeito com ela. “O conhecimento do dia a dia, é uma verdadeira escola”, diz. Mas, a saudade de sua família fala mais alto quando revela o lado ruim da profissão. Casado com Dilva Kappo, o casal tem dois filhos: Gilmar Alexandre Kapp Junior, 32 anos e Nadine Kapp, 25 anos.
A família Kapp é muito unida e sempre lhe deu apoio, sobretudo, sua esposa. “Hoje, eu e ela cuidamos da nossa empresa”, diz orgulhoso.
Quando estou viajando dirijo o Scania G400 2013, com carroceria sider, transportando carga seca. Ele sente dificuldades para o transporte dessa carga na hora de entregá-las. “Acontecem problemas com notas erradas e mercadorias trocadas. O cliente manda errado e tem que esperar ajustar tudo e isso leva tempo”.

Aproveitando o Dia do Motorista, Kapp faz um pedido: “Que o Governo olhasse para nós. Paralisações não são necessárias se ele parar e olhar para o caminhoneiro, dar mais condições. Hoje gastamos muito dinheiro com seguro, dinheiro que poderia ser aplicado em outras coisas. Os motoristas possuem muita insegurança com o Governo, são muitos impostos, pedágios. Precisamos do apoio para que eles olhem mais para nossa classe”, comenta Kapp.

Quanto à tabela de frete, o caminhoneiro conclui: “Em minha opinião precisa haver fiscalização. Se fiscalizarem todos serão obrigados a seguirem a tabela”.

Carga
reciclável

Para reciclar a caixa de mandioca de papelão que Adelson transporta, está Davilyn Nascimento. A preservação do meio ambiente faz parte da sua vida. Ele transporta no Mercedes-Benz 1718 equipado com carroceria plataforma aparas de papelão.

“É uma carga segura. A reciclagem é tradicional no setor papeleiro. As fábricas são abastecidas por uma grade rede de aparistas, cooperativas e outros fornecedores de papel pós-consumo que fazem a triagem, a classificação e o enfardamento do material. A cadeia produtiva que envolve a atividade gera empregos e renda, movimentando a economia”, diz Nascimento.

Ele tem orgulho de sua profissão e do tipo de carga que leva: “A recuperação do material após o consumo ajuda a diminuir o volume de detritos a ser descartado em lixões e aterros sanitários já saturados”.

Caminhoneiro há 12 anos, Nascimento aprecia, também a maneira de estar livre, em estradas, fazendo amizades, conhecendo pessoas diferentes e ganhando novos conhecimentos. Caso com Marly Nascimento, o caminhoneiro que adora a natureza dá uma aula sobre reciclagem:

Reduzir significa diminuir a quantidade de lixo residual que produzimos. Os consumidores devem adotar hábitos de adquirir produtos que sejam reutilizáveis, como por exemplo: guardanapos de pano, sacos de pano para fazer suas compras diárias e embalagens reutilizáveis para armazenar alimentos ao invés dos descartáveis.
Reutilizar é utilizar várias vezes a mesma embalagem, por exemplo. Com um pouco de imaginação e criatividade podemos aproveitar sobras de materiais para outras funcionalidades, como: garrafas de plástico, vidro para armazenamento de líquidos, e recipientes diversos para organizar os materiais de escritório.

Reciclar é transformar o resíduo antes inútil em matérias-primas ou novos produtos, sendo um benefício tanto para o aspecto ambiental como para o energético.
Depois dessa lição de conhecimento no assunto, Nascimento aproveita para homenagear seus colegas caminhoneiros: “Que Deus e Nossa Senhora interceda a todos os motoristas, dando-lhes segurança nas estradas”.

Leva combustível

A caminhoneira Angela Cristina Garcia faz parte de uma operação logística que exige muita atenção e cuidado. Trata-se do transporte de combustíveis. A vaidosa motorista exerce a profissão há nove anos e está na TransJordano há três anos e meio dirigindo um Mercedes-Benz Actros 2651. “Eu comecei nessa profissão através da minha família, meu pai caminhoneiro e meu irmão”, comenta.

Até o momento, dois fatos marcaram a sua vida: “A realização de ter contemplado ser uma profissional do volante e também ser técnica em enfermagem”.
Satisfeitíssima com a profissão, Angela Cristina se sente muito feliz e 100% realizada. “Acho encantadora essa carreira, o reconhecimento de todos por onde eu passo e o aprendizado de novas culturas pelos estados em que venho visitando. Mas, por outro lado, é ruim a falta de infraestrutura de alguns lugares para receber mulheres”.

Sempre quando viaja leva em seu coração a sua família. “Minha mãe Floripes, meus irmãos Miguel, Marta, Claudio e meus filhos Juliano, Gabriel e Rafael se sentem bastante felizes e orgulhosos com a minha profissão”, diz Angela.

“Se hoje tivesse que pedir a São Cristóvão, protetor dos caminhoneiros, um pedido, seria: segurança a todos motoristas e ter o meu próprio caminhão. Quem sabe?”, diz sorrindo.
Nós podemos até não lembrar, mas o trabalho dos caminhoneiros sempre está presente em nossas vidas. Por isso, quando você estiver em um restaurante envidraçado, comendo mandioca frita, em mesas bonitas e for lavar as mãos com água e sabonete, ou ver uma embalagem lembre-se do Railton, do André, do Reginaldo, do Robson, do Roberto, do Bruno, do Jair, do Gilmar, do Davilyn, do João, da Angela e de muitos outros caminhoneiros que trabalham para o seu bem-estar.

 

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