Churrascada! Quem não gosta?

07/11/2016 às 2:04 - Atualizado em 07/11/2016 às 2:04

Foi nos anos 60, trabalhei transportando café de uma enorme fazenda, bem próxima à cidade de Alto Paraná para uma máquina de café de Maringá. Muito serviço, uma turma boa de caminhoneiros, parecia que jamais acabaria o trabalho. Uns quinze dias antes de terminar a colheita, o dono da fazenda, seu Garcia chamou a galera toda, inclusive os funcionários efetivos e disse:

– Meus amigos caminhoneiros e vocês meus funcionários efetivos, venho com a maior satisfação e alegria comunicar-lhes que, quando o serviço terminar, vou dar uma churrascada pra todo mundo, vai ser inesquecível, vem gente de todo lado, vem muita gente mesmo!

A enorme fazenda ficava nas margens da rodovia que liga Maringá a Paranavaí. O chefe da fazenda, seu Reinaldo, muito criativo, mandou a turma fazer uma vala com mais de 100 metros de comprimento, ao lado do campo de futebol da fazenda. Ele, muito animado, falou:

-É nesta vala que vamos assar mais de uma tonelada de carne para a turma saborear! Quero que comam à vontade, completou!

Como o acesso à fazenda era muito fácil, seu Garcia colocou da rodovia diversos capatazes com cartazes convidando não só os caminhoneiros, mas também o pessoal dos carros que passavam na rodovia a participarem da grande churrascada. A festa era em comemoração aos dez anos de fundação da fazenda e em agradecimento pela boa colheita do ano. A partir das onze horas o pessoal começou a chegar de todo lado e de todo jeito, de caminhão, de carro, de carroça, a cavalo, a pé e até de bicicleta.

Os responsáveis pela grande valeta esparramaram carvão em toda sua extensão, atearam fogo e em seguida vieram os espetos cheios de carne, muita carne mesmo! Para quem teve a felicidade de participar e ver de perto aquelas carnes assando naquele braseiro, não esquece. Os espetos eram de uma madeira muito especial, uma espécie de marmelo. O seu Garcia era cheio de surpresa, pois por volta das quinze

horas chega à churrascada um conjunto todo incrementado só para animar a festa. Após a chegada do conjunto, a festa que já estava boa, ficou melhor ainda.

Pela animação que ali reinava, dava para notar no semblante das pessoas que a vontade era de ficar por ali, na incrível festa, até o amanhecer do dia seguinte. Foi o que aconteceu. Para muitos que se esqueceram de voltar para suas casas, no amanhecer do dia seguinte, seu Reinaldo, o chefão da fazenda, não abandonou ninguém, mandou a turma da fazenda preparar um café completo para o pessoal pegar mais ânimo e assim cada um seguir seu destino. Nem antes e nem depois desta festa, eu, com toda experiência vivida em muitos anos, ainda não achei outra festa igual ou pelo menos parecida com a da churrascada. Como caminhoneiro não pode parar, vamos seguir em frente.

 

Texto: Antonio Carlos Padilha

Revista Caminhoneiro edição número 309.

Tags: