Destinação final de resíduos sólidos

06/11/2017 às 4:20 - Atualizado em 14/11/2017 às 8:26

Para qualquer produto que consumimos existem as alternativas DE destinação final do produto.

Não muito tempo atrás tudo o que não era consumido, assim como restos do produto, era enviado como lixo para os lixões, mais tarde chamados de aterros sanitários. Este problema mundial passou a chamar a atenção dos ecologistas e das autoridades que começaram a impor regras para esta destinação final de resíduos sólidos de forma ambientalmente correta.

Nas gerações de “lixos” intervêm diversos fatores: os fornecedores, os fabricantes, os usuários para citar alguns.
Para exemplificar os conceitos acima e quem é responsável por o que, usarei um exemplo bem conhecido dos caminhoneiros: o pneu!

Neste caso específico vale a pena mencionar que o Brasil foi um dos primeiros países a criar legislação específica sobre a destinação ambientalmente correta dos pneus através de resolução n. 258 de agosto 1999 (18 anos atrás) do Conama- Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Esta resolução estabeleceu que o fabricante ou importador, que comercializa pneus, passasse a ser responsável pela destinação ambientalmente correta dos mesmos quando inservíveis.

Vejamos agora como reduzir ou adiar ao máximo a destinação final do pneu inservível.

Prevenção
O pneu é construído com recursos naturais finitos (borracha natural, derivados de petróleo e agentes químicos). Portanto, cabe aos engenheiros e químicos das fábricas minimizarem ao máximo o uso destes recursos através de formulações mais resistentes e adequadas ao uso do pneu, assim como definir desenho de banda para cada aplicação dos mesmos. Desta forma, estarão contribuindo para o aumento da vida útil do pneu e a redução do uso de matérias-primas escassas. Isso quer dizer que a preocupação com a destinação final do produto deve começar bem antes de sua efetiva produção.

Minimização
Mais uma vez lidamos com o planejamento do produto de forma a minimizar o uso de recursos tóxicos do ponto de vista ambiental.

Finalmente, um produto adequado é colocado a rodar no mercado!
E agora?

Mas vamos pensar agora como nós e nosso bruto afetamos o pneu às vezes acelerando seu desgaste! Sim, ambos são responsáveis por minimizar o desperdício do pneu. Como?

O bruto precisa estar com a sua geometria ajustada (suspensão) e seus freios em perfeitas condições, pois caso contrário o pneu terá sua vida encurtada substancialmente pesando no bolso do caminhoneiro. Manutenção preventiva e corretiva são as ferramentas à disposição para tal fim.

Outro fator fundamental é nossa forma de conduzir o bruto. Arrancadas bruscas, freadas continuas, por exemplo, são alguns fatores sob nosso controle que geram sobreaquecimento dos pneus, ocasionando desgaste prematuro. Conduzir suavemente um bruto não é uma contradição, mas sim uma maneira de prolongar a vida dos pneus e às vezes as nossas também.

Lembre-se que a temperatura é o maior inimigo da borracha, matéria -prima do pneu!
Outro fator de suma importância é rodar com o pneu correto para sua aplicação e a pressão correta dos mesmos como estabelecido pelos fabricantes. Este cuidado reduz em muito o desgaste dos pneus, evita sobreaquecimento e desgastes irregulares. A pressão correta não é apenas um cuidado ambiental, mas também fundamental para sua segurança nas estradas.

Reúso
Aqui, caso os cuidados acima tenham sido tomados e o pneu retirado de serviço, levando em conta o TWI (profundidade do sulco), abre-se a possibilidade da reforma do pneu.
Desta forma, o pneu será reusado para a mesma finalidade para a qual foi concebido contribuindo com o meio ambiente e com o bolso do caminhoneiro uma vez que a reforma e muito mais barata do que a compra de um pneu novo. Dependendo de seu cuidado com os pneus, o mesmo poderá ser reformado várias vezes, aumentando ainda mais sua economia.

Reciclagem
Quando finalmente um técnico estabelecer que o pneu não pode mais ser reformado entramos então no processo de reciclagem. Em que consiste?

Aqui o pneu através de processos mecânicos, químicos ou outros passa a gerar novos produtos usando os componentes do pneu.

Exemplos: solado de sapatos, tapetes para automóveis, pisos para parque infantis ou atléticos, componentes para massa asfáltica, tijolos de borracha, fios usando o aço dos pneus, etc.

Recuperação de energia
Caso não seja mais possível à reciclagem podemos com muitos cuidados, definidos em lei, queimar os resíduos pneumáticos em fornos em diversos processos industriais. Um exemplo é a queima em fornos de fabricação de cimento, destinação bem frequente em nossa realidade. Nesta etapa, devido ao calor gerado pela queima, estaremos recuperando a energia que foi gasta para produzir o pneu.

Disposição
Se nenhuma das destinações acima for possível então resta enviar o pneu inservível para aterros. Isto é possível em algumas realidades, mas proibido em nosso País.
Com isto mostramos que a minimização de desperdício dos pneus começa no fabricante, continua no nosso uso dos mesmos e só então entra nos três Rs: Reúso, reciclagem e recuperação de energia. Esta é a hierarquia de destinação dos pneus em ordem decrescente de impacto ambiental e financeiro para o caminhoneiro.
Boa estrada e cuide dos pneus do seu caminhão!

Texto: Germano Julio Badi l Fotos: Marcio Bruno