Dia da Mulher: Valentes guerreiras

08/03/2017 às 8:37 - Atualizado em 13/03/2017 às 11:50

Por intermédio de Sheila Karina Portella e Ruzimelia Basso, a revista Caminhoneiro faz uma homenagem às caminhoneiras que amam essa profissão.

Elas têm uma profissão ainda exercida majoritariamente por homens, mas estão conquistando seu lugar ao sol com muita garra e perseverança. Ser caminhoneiro não é nada fácil, risco de assaltos, falta de infraestrutura na estrada, fretes baixos, entres outros atropelos da profissão. Então, imagine ser caminhoneira?  Sheila Karina Portella e Ruzimelia Basso que ainda enfrentam todas essas dificuldades têm, por outro lado, as responsabilidades extras de dedicadas mães e donas de casa. As duas caminhoneiras falam sobre suas experiências nessa importante carreira.

Sheila Karina Portella, que está na estrada há cinco anos, reside em Jundiaí, interior de São Paulo. Ela é casada e tem um filho de 19 anos de idade, chamado Matheus Portella Demarchi. “Ser caminhoneira era meu sonho de infância. Eu era cabeleireira e não me realizava profissionalmente. Esperei meu filho crescer e fui atrás do meu sonho. A primeira empresa que procurei oportunidade de trabalho foi para transportar produtos eletrônicos. Fiquei lá dois anos e parti para carreta que era meu outro sonho. Novamente tive sorte e fiquei na manobra no pátio por dois meses até ganhar à chance de dirigir a tão sonhada carreta de câmara fria. Trabalhei por um ano e há dois anos estou com carreta cegonha engatada em uma Scania G420, transportando carros zero quilômetro para todo o Brasil, graças ao meu marido e ao meu patrão que acreditaram no meu potencial e esforço. Só tenho que agradecer a todos que acreditaram em mim”, reconhece Sheila Portella.

Ela não possui caminhoneiros na sua família, mas essa profissão está no seu sangue. Sempre vaidosa e bonita, Sheila Karina Portella idolatra a profissão: “ser caminhoneira é mais do que saber dirigir e conhecer as artimanhas das estradas. É ter coragem de sobreviver de uma profissão que esconde os encantos e perigos de um mundo desconhecido. É o prazer de cada volta para casa e o gosto amargo de voltar à estrada com a incerteza de um novo retorno cheio de saudades. Enfim… Muito orgulho e amor à profissão”, declara Sheila Portella.

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Sheila Karina Portella tem muito orgulho e amor à profissão.

Mas nem tudo são flores e nem todos os dias têm sol. Sheila Karina Portella aponta como algumas dificuldades o preconceito e a aceitação quanto à sociedade. Além disso, reclama da falta de infraestrutura em postos de combustíveis, falta de segurança e ausência de locais seguros para pernoitar.

Sheila Karina Portella é uma profissional conectada e participa do Facebook: “atingi o número máximo de amigos e têm muitos no aguardo, resolvi fazer outra em forma de comunidade com o nome de Sheila Portella Cegonheira. Nessa página, coloco anúncios de empregos, reportagens e um pouco da minha vida na estrada, fotos com amigos que conheço nas viagens…”.  A caminhoneira conta com o apoio de seus familiares que possuem orgulho dela e da profissão. Quando questionada o que mais gosta em relação à sua carreira, ela respondeu sem pestanejar: “liberdade, conhecer novas culturas e fazer amizades”.

Ela envia uma mensagem, em especial, às mulheres: “nunca desistam de seus sonhos. Não deixem as pessoas dizerem que vocês não conseguem. Quando tem amor verdadeiro não há o que nos faça desistir. Acredite em vocês. Todas são capazes. Basta acreditar. Sejam bem-vindas a esse mundo mágico…”, diz Sheila Karina Portella.

Ruzimelia Basso exerce a profissão há dez anos. Casada com Luiz tem quatro filhos Alex, Alan, Bianca, Laís, além de três netos, Axel, Megan e Dylan. “Eu estava desempregada e fiquei sabendo de uma empresa que contratava mulheres sem experiência. Logo tirei a carteira de habilitação categoria ‘D’ e consegui emprego nessa empresa”.

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Ruzimelia Basso adora a liberdade de poder estar em vários lugares.

Hoje, Ruzimelia dirige o caminhão pipa/tanque, para lavar os locais onde acontecem feiras livres. “Eu acho muito bom, adoro ser caminhoneira. A maior dificuldade é o medo de assaltos. As estradas em si também são ruins, o resto tiro de letra”, comenta.

Da mesma forma que Sheila, a caminhoneira Ruzimelia também reclama que faltam mais oportunidades nas empresas, melhores condições nas paradas das estradas, principalmente, em postos de combustíveis onde costuma estacionar o caminhão.

Ela também possui uma página no Facebook chamada “Mulher Caminhoneira  Ruzi Mel”. A competente caminhoneira tem mais de seis mil curtidas. Nela divulga seu trabalho, fotos, vídeos, entre outros. “Meu marido não gosta muito,  deve ser ciúmes, mas meus filhos e parentes em geral gostam”, fala rindo.

Ruzimelia Basso adora a liberdade de poder estar em vários lugares. “Por mais difícil que possa parecer, não desistam dos seus sonhos. Eu comecei com 40 anos de idade e já estou há dez, enfrentando as dificuldades e também realizando meu sonho que era dirigir um ‘carro grande’”, finaliza com um sorriso e olhar de esperança de dias melhores a todos, independente do sexo.