“Me sinto envergonhado pelo meu país de ter uma situação dessa”, diz Maggi sobre atoleiro na BR-163

06/03/2017 às 1:44 - Atualizado em 08/03/2017 às 4:18

A situação caótica da BR-163 no Pará, segunda principal rota de escoamento da produção de grãos de Mato Grosso para as exportações, deveria ter acabado em 2013, quando se previa a conclusão da pavimentação da mesma. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), lamenta a situação da rodovia e afirma que a burocracia impediu a celeridade nos trabalhos, após diversas empresas terem desistido de realizar a pavimentação no meio do caminho. “Me sinto envergonhado pelo meu país de ter uma situação dessa”, declarou.

Hoje, o transporte de grãos pela BR-163 até o Arco Norte é considerado a principal alternativa para redução de custos e ampliação de competitividade com demais países, como é o caso dos Estados Unidos, líder mundial em produção de soja e milho.

“É uma obra que deveria ter ficado pronta em 2013 e não ficou por motivos bem simples”, declarou Maggi durante entrevista ao programa de rádio Chamada Geral, em Cuiabá, na manhã desta segunda-feira, 06 de março.

O ministro da Agricultura explicou que os preços na época da licitação da rodovia foram baixos e que fazer uma obra na região Amazônica não é a mesma coisa que fazer uma obra no Sul do Brasil. “Ela é uma obra mais cara. As empresas que foram para lá não tiveram capacidade de fazer rapidamente e aí você começa a ter pedidos de aditivos, mudanças de projeto e várias empresas acabaram desistindo”.

Conforme o ministro da Agricultura, sempre que há uma desistência em um processo licitatório existe uma morosidade para substituir a empresa, o que não se consegue fazer em um ou dois anos. “Como várias empresas saíram até você trazer outra o sistema de proteção no Brasil não permite que se faça rapidamente. Há uma série de burocracia que impede isso”.

Maggi relembrou ainda que entre 1999 e 2000, quando ainda não era governador de Mato Grosso, fez o caminho com um grupo de empresários com 78 caminhões carregados de soja quando ainda não havia mada de asfalto,masapenas a promessa.

“Havia promessa de estar pronto em 2013 e as empresas privadas começaram a operar. De fato estourou um volume de cargas enviadas para lá nos últimos anos”.

Conforme o ministro da Agricultura, em decorrência aos atoleiros verificados nas últimas três semanas no Pará, 11 navios tiveram de ser desviados para outros portos. “Hoje, o prejuízo maior é para as empresas embarcadoras por não conseguirem embarcar, mas pode vir a refletir para o produtor também, pois preços podem cair”.

Cinco frentes de manutenção

De acordo com nota do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na manhã de domingo, 05 de março, foram totalmente restabelecidos os níveis operacionais da BR-163 no Pará no trecho localizado entre as comunidades de Santa Luzia e Bela Vista do Caracol. O Departamento declara que nesta segunda-feira, 06, cinco frentes de manutenção passam a trabalhar nas localidades.

O tráfego de veículos, principalmente de caminhões, nos pontos em que atoleiros se formaram nas últimas três semanas está funcionando no sistema “Pare e Siga”.

Durante cerca de 15 dias, como o Agro Olhar comentou, aproximadamente cinco mil caminhões carregados com soja, principalmente, e outros produtos ficaram parados na BR-163 no Pará. Os prejuízos, segundo exportadores e transportadores, chegam a casa dos R$ 500 milhões.

Fonte: Olhar Direto

 

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