O REI DO GADO

07/11/2016 às 4:01 - Atualizado em 07/11/2016 às 4:03

Entre as inúmeras viagens que fiz para o Mato Grosso, antes de ser dividido em dois estados, fiz uma mudança de São Paulo para uma fazenda uns cinquenta quilômetros depois de Rondonópolis.

Antes de chegar ao destino, parei numa “venda” para fazer um lanche e dar uma descansada.

O dono da venda perguntou:

– O senhor vai para a fazenda do senhor Gumercindo?

– Vou sim! Respondi.

– Acho bom ficar por aqui até que passe aquela imensidão de bois que estão sendo transferidos para outra fazenda, lá em Barra do Garça, é muito boi, vai dar umas oito mil cabeças.

– Não sei se o senhor está sabendo, o senhor Gumercindo é considerado o rei do gado desta região.

Fiquei encucado e muito ansioso para ver a manada passar. Para mim, era uma grande novidade. Demorou umas três horas, apareceu um dos capatazes avisando e abrindo o caminho.

Foram mais de duas horas para passar toda a boiada, foi uma experiência e tanto, gostei muito.

Assim que o rebanho passou, tive a oportunidade de falar com um dos capatazes e ele me revelou muitos detalhes daquela missão:

– Não é fácil, falou ele, quando a boiada estoura, a coisa é feia e disse:

– Estamos completando uma semana na estrada, tudo bem, mas se extraviaram umas vinte cabeças, é difícil, pois a manada é muito grande.

– Daqui até chegar a Barra do Garça, são mais cinco dias de caminhada, vamos acreditar, finalizou ele.

Quando estava me preparando para sair e terminar a viagem, apareceu o seu Atílio, um dos chefes da comitiva. Ele conversou comigo muito tempo, um exemplo de vida, muitos anos de trabalho, mais de trinta anos levando gado para todo o lado.

A pecuária brasileira evoluiu a partir de meados do século vinte. Foram surgindo grandes fazendas nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso e em vista no tamanho das propriedades com imensas boiadas, muitos fazendeiros passaram a ganhar o título de “Rei do Gado”.

Em cada região tinha um “Rei do Gado”, o difícil era saber qual era realmente o verdadeiro. Hoje, estamos em 2013, o Brasil tem um dos maiores rebanhos do mundo.

Com o progresso e a modernização e muitas estradas asfaltadas, a prática do transporte de gado por caminhões e carretas, tornou-se uma constante.

Levar gado de um lado para outro, só se for a curta distância, pois nos longos percursos fica inviável.

Por força do progresso, as grandes jornadas ficaram na saudade. Através de diversas músicas, os “Reis do Gado”, foram homenageados por muitos violeiros do Brasil.

Texto: Antonio Carlos Padilha

Revista Caminhoneiro edição número 307.

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