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03/10/2017 às 4:08 - Atualizado em 03/10/2017 às 4:08

O pneu, indiscutivelmente, é um item importante do caminhão. Então, cuide bem dele.

O ditado popular “quem usa, cuida” vale para os pneus dos caminhões. Afinal, cuidados simples adotados no dia a dia prolongam de forma significativa à vida útil dos pneus.

Muitos questionam se o pneu tem prazo de validade. Segundo Rafael Astolfi, gerente de Assistência Técnica da Continental Pneus, cada fabricante possui sua própria orientação sobre prazo de validade. O mais comum é utilizar o prazo de dez anos a partir da sua data de fabricação. Se o fabricante do veículo recomendar um prazo mais curto do que este, é importante seguir essa orientação.

Hugo Terazaki, gerente de Serviços Técnicos da Dunlop, explica que os pneus não têm prazo de validade. O que existe é a garantia contratual, ou seja, oferecida pelos fabricantes que, em geral, é de cinco anos a partir da data da nota fiscal de compra do pneu ou da data de aquisição do veículo novo (no caso de pneus de primeiro equipamento) ou, ainda em alguns casos, na falta do comprovante de compra, o período de garantia de cinco anos pode ser contado a partir da data de fabricação do pneu.

“Para não perder a carcaça deve-se ficar atento à profundidade de sulco. Recomenda-se que o pneu seja recapado quando o sulco chegar a 3mm de profundidade ou quando ele apresentar desgastes irregulares severos, arranchamento de blocos, rachaduras ou furos. Dessa forma, o pacote de lonas do pneu não é danificado pelos detritos da pista”, explica Rafael Astolfi.

Hugo Terazaki salienta que o motorista deve adotar o TWI (“Tread Wear Indicator” ou, traduzindo, “Indicador de Desgaste da Banda de Rodagem”) como principal indicativo a ser considerado para análise da necessidade de troca do pneu. O TWI é uma saliência de borracha, localizada no fundo dos sulcos dos pneus e possui 1,6mm de profundidade. Quando o desgaste do pneu atinge esse indicador, significa que já está no seu limite, o que sinaliza que o pneu deve ser trocado, pois passou a ser considerado “careca”, interferindo na segurança e se tornando passível de autuação pelas autoridades de trânsito.

O condutor do veículo com pneu fora da especificação apontada pelo TWI é multado com cinco pontos na CNH e multa no valor de R$ 195,23. A infração, que é de origem grave, ainda é seguida por retenção do veículo pelo policial para regularização.

Segundo Fábio Garcia, gerente de Marketing de Pneus Comerciais da Goodyear Brasil, os pneus são fundamentais para a segurança e o único ponto de contato dos veículos com o solo. Suas características foram desenvolvidas para garantir, dirigibilidade, aderência, estabilidade, conforto e performance na estrada ou na cidade. “A principal característica que indica a necessidade de renovação de um pneu é a profundidade de sulco (altura) da banda de rodagem. Quando os pneus estão sem a presença de sulcos é sinal que está na hora de trocar. Em muitos casos, quando o pneu é utilizado da maneira correta e respeitou as recomendações técnicas do fabricante e do manual de garantia, o pneu pode ser recapado”.

O processo de recapagem consiste em substituir a banda de rodagem já utilizada por outra nova, permitindo prolongar a vida útil do pneu. “A Goodyear possui um portfólio completo de bandas de rodagem que permitem manter a originalidade dos pneus novos (mesmo desenho). A Goodyear possui como seu principal objetivo satisfazer nossos clientes, entregando o melhor custo/benefício e o menor custo por quilômetro na vida total do pneu. Com a estratégia de Ciclo Completo, estamos presentes em todas as etapas da vida útil de um pneu. Desde sua compra na maior rede de revendedores do Brasil, na disponibilização de assistência técnica diferenciada aos nossos clientes, também, com o fornecimento de produtos para recapagem com garantia total, além de possuir ferramentas de gestão de pneus modernas e inovadoras para os frotistas”, enfatiza Garcia.

Segundo Marcos Vinicius Pinheiro do Prado, gerente Técnico da Kumho Tire, existe caso que é possível ressulcar o pneu. Isso quer dizer, refazer o desenho e aprofundá-lo em média mais 3 mm, aumentando assim a vida útil da banda original. Os pneus que aceitam a resulcagem possuem estampado nas laterais a palavra resulcável ou regrooveble para os pneus importados.

“Assim, é necessária que haja uma avaliação para cada caso e que seja determinado qual o melhor momento para o envio do pneu para a reforma”, explica Prado.

Riscos

Os pneus “vencidos” são muito perigosos. Pode ocorrer a separação dos componentes da carcaça (pacote de cintas, banda de rodagem e talões), rachaduras e perda de material da banda de rodagem que podem causar perda súbita de pressão ou o desprendimento de material do pneu.

Por isso, cuidar da calibragem é essencial. Pneus de carga, graças à sua alta solicitação, demandam um cuidado especial com a manutenção da pressão que deve estar adequada à carga aplicada e deve ser corrigida de acordo com a condição de carregamento do caminhão: mais alta quando estiver carregado e mais baixa quando estiver vazio.
É importante também verificar a condição geral dos pneus. Rodar com o pneu com baixa pressão (ou sobrecarregado) gera estresse e altas temperaturas na carcaça que podem ocasionar trincas e separação de componentes. É fundamental checar também a banda de rodagem em busca de arrancamento de material (causado por desalinhamento da geometria de suspensão) e desgastes de irregulares (causado por desalinhamentos ou problemas de balanceamento).

Deve-se verificar com regularidade a pressão de ar dos pneus, fundamental para assegurar a performance máxima dos pneus e preservar a carcaça. Da mesma forma, as laterais (flancos) devem ser avaliadas quanto a cortes, perfurações, rachaduras de maneira geral. Quando da existência de quaisquer dos itens informados, o pneu deverá ser removido imediatamente de serviço. A banda de rodagem deverá estar livre de pedras e outros objetos perfuro-cortantes, que reduzem drasticamente a durabilidade dos pneus. Por fim, os derivados de petróleo são como veneno para os pneus, reduzindo sua vida útil devido à ação corrosiva.

Rodrigo Alonso, gerente Sênior de Vendas e Marketing da Dunlop, explica que é importante sempre utilizar o pneu correto de acordo com o tipo de veículo e de uso em que ele será submetido (tração, longa distância ou uso urbano). Pneus com aplicação incorreta causam muito transtorno aos motoristas.

Avarias

As mais comuns em pneus de carga são as trincas na região dos talões causadas por baixa pressão ou sobrecarga. Isso ocorre pela sobrecarga no eixo do caminhão (má distribuição de carga), baixa pressão (por vezes confia-se no rodocalibrador e ele não é capaz de manter a pressão adequada no pneu), pela não correção da pressão quando o caminhão está carregado. Um sinal da sobrecarga sobre a pressão (que também pode ser entendida como subinflação) é o imprint na roda. Imprint é o esmagamento do talão causado pelo flange da roda, característico dessa condição.

Ana Claudia Pugina, diretora de Marketing da TP Industrial do Brasil para América Latina (Pirelli), salienta que os pneus quando não são bem utilizados podem sofrer vários tipos de danos. Entre eles estão, por exemplo, a calibragem abaixo da pressão recomendada, que gera um esforço significativo em situações como o veículo com excesso de peso. Outra situação é o desgaste excessivo causado pela falta de manutenção do sistema de direção e suspensão, aliada ou não a situação quando a pressão está fora do recomendado. “Neste caso a superfície de contato da banda de rodagem com o solo não será a ideal causando desgaste irregular e diminuindo a vida útil do pneu”, diz Ana Pugina.

Fabio Garcia, da Goodyear, explica que a pressão de ar é o item que mais impacta na performance e segurança de um pneu. Dessa forma, a correta calibragem e pressão de inflação permite um desgaste regular da banda de rodagem. Quando o pneu está com a pressão de inflação alta, gera-se o desgaste excessivo na região central da banda de rodagem. No caso do pneu apresentar uma inflação de pressão baixa (abaixo do recomendado), o pneu altera seu ponto de deflexão e há um desgaste excessivo nos costados (ombros) da banda de rodagem.

Outro estrago pode ser a formação de bolha lateral, comum em pneus radiais. “A bolha se forma pela quebra de um ou mais cordoneis de aço, provocado pelo coque ou impacto contra obstáculo/buraco”, diz Marcos do Prado. “A bolha só se forma durante um impacto acidental se a pressão de inflação estiver abaixo da recomendada. Uma vez tendo o cordonel quebrado não há mais como repará-lo e o pneu terá necessariamente que ser retirado de serviço, pois com a flexão das paredes laterais a bolha irá aumentar até o estouro repentino, podendo causar sérios danos ao veículo ou a terceiros”.

Compra

Na hora de adquirir um pneu, primeiramente, deve-se optar por marcas que ofereçam suporte local e assistência técnica. Um bom plano de garantias estendidas é muito importante.

Em segundo lugar deve-se optar por fabricantes que estão presentes em toda a cadeia de utilização do pneu: montadoras de veículos, mercado de reposição, recapadores (que oferecem as bandas de rodagem originais) e destinação final correta do pneu descartado através da Reciclanip.

Por fim, as etiquetas presentes nos pneus podem dar uma boa orientação sobre performances como resistência ao rolamento (que influencia diretamente no consumo do veículo), frenagem em pista molhada e emissão sonora.
Os veículos que operam em perímetro urbano devem optar por pneu urbanos que possuem talões para resistir às altas temperaturas dos freios e laterais reforçadas para resistir ao contato com calçadas.

Os veículos que operam em estradas utilizam pneus regionais, aptos a operar em estradas sinuosas, aclives e declives. Se a operação for predominantemente composta por estradas retas, planas, em que o veículo permanece por muito tempo a uma velocidade constante, pneus de longa distância podem ser utilizados. Eles proporcionam menor consumo de combustível, porém não são robustos como pneus regionais.

E há também os pneus mistos. Eles servem para operar em terrenos de construção, por exemplo, que demandam também a rodagem em pista de asfalto e pneus off-road, utilizados em caminhões que operam 100% fora da estrada, como em campos de mineração.

Além disso, como os pneus de carga são utilizados comercialmente, é muito importante que se leve em consideração o custo/benefício do produto. Uma das formas mais comuns de realizar essa verificação é através do CPK (custo por quilômetro), que nada mais é do que a divisão do custo do pneu pela quilometragem rodada.

José Carlos Quadrelli, gerente Geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone, salienta que para aumentar a vida útil dos pneus de caminhão, é muito importante controlar os “Cinco Ladrões de Quilometragem”: alinhamento, balanceamento, calibragem, desenho de bandas e o emparelhamento. “Se estes cinco itens não forem bem avaliados e corrigidos, podem reduzir em 25% ou mais a quilometragem do pneu novo ou reformado”.

As orientações para garantir o melhor aproveitamento do pneu até o final da vida, conforme Renato Silva, gerente de Marketing Produto da Michelin América do Sul, são: manutenção e calibragem dos pneus e a manutenção da geometria do veículo, através do alinhamento e balanceamento e da regulagem dos freios. Para prolongar a vida útil dos pneus, a Michelin recomenda também a realização de rodízio dos pneus a cada 1/4 (25%) de sua vida.

Marcos Vinicius Pinheiro do Prado explica que o uso de lubrificante adequado para a montagem e desmontagem dos pneus aumenta a vida útil, nunca usar qualquer derivado de petróleo para a montagem/desmontagem, como vaselina, graxa, óleo queimado. “Também não se recomenda a montagem com grafite, pois por ser extremamente fino, fica impregnado na borracha no interior do pneu, podendo provocar falha num eventual conserto que seja necessário”.

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